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Diversificação: O Que é e Como Fazer

O que é Diversificação

Com certeza você já ouviu falar o termo "não coloque todos os ovos na mesma cesta". Essa expressão famosa, que serve para diversas áreas da vida, também se aplica aos investimentos.

Outro ponto importante é que não importa quanto dinheiro você tenha, diversificar também pode ser útil na construção de um portfólio sólido.

 Ovos para explicar como você deve diversificar sua carteira de investimentos

Essa frase, no mundo dos investimentos diz respeito sobre a diversificação. A diversificação, como o próprio nome diz é o investimento desconcentrado, em mais de um tipo de aplicação.


Exemplo1: uma pessoa decide comprar ações com um percentual do patrimônio que ela entende que seja coerente com o risco que ela quer tomar. Obviamente que essa pessoa não vai simplesmente comprar todo o capital destinado para renda renda variável em apenas uma ação, ela vai escolher uma carteira de ações.


Exemplo2: a pessoa tem pouca tolerância ao risco e gosta apenas de reter seu dinheiro em renda fixa. Vale a pena essa pessoa diversificar seus investimentos em renda fixa. Um pouco em CDB, outro tanto em títulos do tesouro, um pouco de LCI e por ai vai.

Porque Devo Diversificar?

Mas ai vem a grande questão, que muitos de vocês devem estar se perguntando: porque eu devo fazer isso?


É simples, ninguém consegue ter certeza do futuro, muito menos levar em consideração todos os riscos envolvidos em uma empresa na hora de analisá-la. Existem diversas questões em pauta que podem surgir do nada e prejudicar muito o andamento da companhia. E normalmente são assuntos não recorrentes dos quais o investidor não tem controle nenhum.


Podemos citar como exemplo o caso da CVC no ano de 2019 e início de 2020 quando suas ações caíram mais de 70% por alguns fatos que fogem totalmente do controle e da análise do investidor como a falência da Avianca, a mancha de petróleo no Nordeste, o corona vírus e os erros no balanço da empresa.


Esse é um clássico evento que é impossível ter certeza do futuro e que seria muita arrogância sua como investidor, ter certeza sobre o caminho de uma ação. Porque mesmo se você tiver essa certeza, você estaria errado.


Em um texto divulgado pela Oaktree Capital, gestora de Howard Marks ele afirma que uma da principais habilidades na hora de analisar empresas é: "aceitar que não é possível saber o que o futuro nos reserva"


Críticos da Diversificação

As pessoas adoram falar que Warren Buffett é averso a diversificação, principalmente pelas seguintes frases que teoricamente ele já disse:

"Diversificação é uma proteção contra a ignorância." e "Diversificação pode preservar a riqueza mas a concentração cria riqueza".


O primeiro ponto disso é que o gênio Warren Buffett já disse diversas frases, ele tem 89 anos de idade. O segundo é que a carteira dele atualmente via Berkshire Hathaway é composta de 47 empresas no fim de 2019. Tudo bem que existe uma concentração de 69% das 5 maiores posições, o que faz que ele tenha um estilo concentrado de gestão perante outros gestores mas não chega a ir de encontro com as frases anteriormente citadas.


Talvez a parte da vida de Warren Buffett que ele menos diversificou foi quando colocou mais de 60% de suas reservas em GEICO, uma empresa de seguros.


E mais importante, mesmo que ele não diversificasse, ele é o maior investidor de todos os tempos. É uma excessão a regra. Dito isto, riqueza se faz não perdendo dinheiro, como o próprio Buffett gosta de falar.


Assim, é muito importante que você concentre-se não apenas em ganhos estratosféricos mas principalmente em não perder dinheiro.


A Teoria do Portfólio

A Teoria do Portfólio foi desenvolvida por Harry Markowitz em 1952, essa teoria tem como um dos aspectos mais importantes que um ativo fora de uma carteira possui um risco diferente de um ativo dentro de uma carteira. Isso ocorre principalmente pela diluição de riscos não sistemáticos (risco dos mercados globais, uma grande crise mundial, por exemplo).


Uma forma de diminuir esses riscos em uma carteira de investimentos seria, então, diversificá-la, mas sempre entendendo que essa redução de risco é feita de forma decrescente. Ou seja, a partir de um determinado momento, com uma carteira já bem diversificada, não seria possível diminuir os riscos não sistemáticos, mantendo apensa os riscos sistemáticos, que são aqueles riscos amplos, pertencentes a todos ativos do mercado.


Na fotos abaixo vemos um dos ensinamentos básicos de uma parte da teoria da carteira de Markowitz que diz em essência sobre o risco de uma carteira de investimentos.

Obviamente, a primeira coisa que vem a cabeça do investidor é que uma carteira diversificável dilui o risco não sistemático. Entretanto, isso não basta, pois se você não diversificar com ativos de correlação negativa, a diversificação pode te deixar em um patamar de risco/retorno não atraente.


Veja no gráfico, de nada adianta as alternativas A e C. Na A, você estaria correndo um risco igual para um retorno esperado menor que a alternativa B. O raciocínio é o mesmo de C para D. A alternativa C não faz sentido, pois para o mesmo risco, a D tem um retorno esperado maior que a C. Entretanto, você tem que entender se você vai correr mais risco para tentar auferir retornos esperados maiores (D) ou se você vai correr menos riscos mas com um retorno esperado menor (B).


Conclusão

A diversificação se faz muito necessária em uma carteira de investimentos pois só assim, você conseguirá diminuir o risco não sistemático, ou seja, o risco que não tem a ver com a economia global.


Esses riscos relativos a economia global, como por exemplo, uma crise mundial, ou coisa do tipo realmente é um risco que você não dilui ao diversificar uma vez que é inerente a todo o sistema. Dessa forma, diversificar é uma regra básica dos investimentos e deve sim ser seguida pelos investidores.


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