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Finanças e Futebol: Os Clubes Brasileiros

Você já parou para pensar em como funciona o financeiro um clube de futebol? Assim como qualquer outra empresa os times vendem um produto, o entretenimento. Eles têm fornecedores, funcionários e clientes. O objetivo final é vencer as partidas, ganhar campeonatos, vender mais camisas, contratar melhores jogadores e repetir este ciclo. As partidas em si, são o produto vendido através do ingresso para ir ao estádio ou o canal para assistir o jogo na televisão. O sócio torcedor funciona como um programa de fidelidade.


Mas e quem administra isso tudo? Isso depende do país e de qual a estrutura organizacional do time. No Brasil, os times são clubes que tem cotistas, assim como fundos imobiliários e fundos de ação.

Estes cotistas escolhem por votação quem será o responsável por gerir o clube em um determinado período. Em outros países, os clubes são realmente empresas, que tem donos e sócios e estes podem administrar ou não o clube.


E é por causa dessa diferença que clubes estrangeiros podem até serem listados em bolsas de valores como sociedades anônimas e no Brasil isso não acontece. O caso mais conhecido dos brasileiros é o do Orlando City, comprado pelo empresário Flávio Augusto por US$120 milhões em 2013. Apesar de o Clube ter capital fechado, ele é uma sociedade anónima que visa a valorização e o lucro. Alguns fundos de investimento em private equity e outros acionistas minoritários investem no time, que hoje é avaliado em cerca de US$600 milhões.


Este é apenas um de vários exemplos de clubes que são profissionalmente administrados. Na Europa, é muito comum que sheiks árabes ou russos e empresários invistam milhões de euros em seus clubes de futebol. Um dos filhos da família real dos Emirados Árabes, Mansour bin Zayed Al Nahyan, é dono do famoso Manchester City. Já o russo Roman Abramovich, é dono do Chelsea e já investiu mais de US$10 bilhões no clube desde 2002.


Também por lá, temos alguns clubes famosos que são listados na bolsa de valores. São 22 clubes de futebol listados nas bolsas europeias. Mas de acordo com a empresa de consultoria KPMG, não há uma forte correlação entre os resultados do time dentro de campo e o preço de suas ações. Após a conquista do campeonato Italiano, as ações da Juventus dispararam, mas o mesmo não ocorreu quando o Benfica foi campeão português e viu suas ações caírem 6%.


Outro caso curioso a respeito de clubes com ações listadas em bolsa, foi o de um torcedor que arremessou pedras no ônibus do Borussia Dortmund por ter comprado opções de venda das ações. Nesse caso, ele tinha o direito de vender as ações por um determinado preço em uma data futura, e, portanto, quanto mais barato ele conseguisse comprar as ações, maior seria seu lucro na operação.

No Brasil, a legislação e a mentalidade impedem que os clubes tenham uma estrutura administrativa mais profissional. Os times ainda são vistos em sua grande parte como diversão pelos brasileiros, e não como empresas que prestam um serviço de entretenimento.

O Projeto de Lei do Senado 68/2017 e o da Câmara dos deputados “Clube Empresa”, têm como objetivo fazer com que os clubes deixem de ser associações sem fins lucrativos, e passem a ser sociedades anônimas ou limitadas. As vantagens como já vimos, são uma administração mais profissional, a possibilidade de captar dinheiro com sócios, seja através da bolsa ou não, o direito de decretar falência para prorrogar o pagamento de dívidas, entre outras vantagens que empresas tem.

Aos poucos, essa mentalidade vai mudando. Embora não possam se tornar sócios, alguns empresários e marcas estão investindo em clubes através da compra de jogadores jovens com potencial de valorização. Então, o empresário compra os direitos de um determinado jogador, passa esse direito a algum clube na esperança de que futuramente esse jogador seja vendido por um valor superior ao da compra.


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