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Fundos de Investimentos: o que são e como analisar

O que são e como analisar

Acho que podemos começar com uma analogia: por que você resolve ir a um restaurante? Muito provavelmente porque você não tem tempo ou não sabe cozinhar, e por isso, delega essa função para alguém.


Os fundos de investimento são a mesma coisa, eles servem para quando você quer investir seu dinheiro, mas não tem tempo ou conhecimento para isso, e então, delega essa função para uma pessoa especialista nisso mediante o pagamento de uma taxa.


Formalmente, os fundos são condomínios nos quais as pessoas colocam seu dinheiro e contratam uma gestora para tomar conta dele. Por mais que muitas vezes o fundo tenha em seu nome o nome da gestora, eles são coisas separadas.


O fundo pertence aos condóminos (cotistas) e estes por meio de assembleias contratam a gestora para cuidar dos recursos do fundo. Essa relação entre os nomes acontece porque na maioria dos casos são as próprias gestoras que idealizam e criam os fundos se colocando como gestoras dele, mas nada impede que isso mude no futuro.

Como analisar fundos imobiliários?


Como Analisar

Vamos agora entender como é possível interpretar se um fundo é bom e se encaixa no seu perfil como investidor. Por isso, listamos algumas dicas para você analisar um fundo de investimentos:


  1. Rentabilidade passada: Por mais que rentabilidade passada não seja garantia de rentabilidade futura, este ainda é um dos melhores indicadores para analisar um fundo, ainda mais se ele tiver um histórico grande. Um fundo que, por exemplo, já passou por várias crises, continua existindo e apresentou uma rentabilidade satisfatória no longo prazo, passa uma confiança grande para investir nele.

  2. Liquidez: Aqui não existe certo ou errado, apenas o que se adequa melhor ao perfil do investidor. A liquidez de um fundo que dizer em quantos dias após solicitado um resgate, o dinheiro vai cair na conta do investidor. Fundos de renda fixa e menos arriscados costumam ter uma liquidez maior, com a realização do resgate chegando a acontecer no dia da solicitação (D+0). Já fundos multimercado e de ações que são mais arriscados costumam ter menos liquidez com o resgate sendo realizado 30 dias depois da solicitação (D+30), por exemplo. Esse prazo serve para que o gestor tenha tempo de desfazer de uma posição, caso seja necessário, para pagar o cotista que solicitou o resgate, e possa tomar a melhor decisão sem pressa.

  3. Tipo de investimento: Existem vários tipos de fundo. De renda fixa, até de ações passando pelos multimercado. Cada um destes tem suas características, os tipos de investimento em que eles investem e seus riscos. Cabe ao investidor escolher os fundos que se adequam as suas necessidades, objetivos e perfil de risco. E mesmo dentro da mesma categoria, existem variações. Tem fundos de ação que investem apenas em small caps, e outros que focam em setores com alta correlação com o PIB do país. No caso dos fundos multimercado, tem os que investem em taxas de juros futuras.

  4. Índice de sharpe: O Índice de Sharpe ele mede a relação entre retorno e risco da carteira. Ele é calculado através da divisão do prémio de risco pela volatilidade. Nesse caso, o prémio de risco é o quanto o retorno daquela carteira ou fundo excedeu o retorno da taxa livre de risco da economia (CDI) calculado da seguinte maneira. Já a volatilidade, é vista como uma medida de risco. Dessa maneira, quanto maior for o índice de sharpe, melhor, pois mais retorno se obtém por unidade de risco que se toma.

  5. Gestora e gestor: Além de analisar os resultados passados do fundo em que se pretende investir, também é fundamental analisar o histórico da gestora e do gestor daquele fundo. Procure por outros fundos que aquela gestora, eles podem servir como parâmetro para avaliar resultados passados no caso de o fundo pretendido ser muito recente. Busque notícias e entrevistas sobre o gestor para saber se a sua visão sobre investimentos está alinhada com a dele.

  6. Taxas: Procure saber quais os valores e como são calculadas as taxas que estão sendo pagas a gestora. Geralmente são cobradas as taxas de administração e performance, sendo a primeira um valor fixo e a segunda uma porcentagem da rentabilidade que exceder o benchmark escolhido.

  7. Onde comprar: Você pode adquirir cotas de Fundos de Investimento em corretoras ou bancos. Essas cotas não são negociadas na bolsa através do Homebroker.


Onde encontrar informações

  • Site da gestora

No site da gestora, você costuma ter um acesso rápido e fácil a informações do fundo como liquidez e as taxas cobradas. Lá também é possível encontrar links de download para arquivos que a gestora é obrigada a publicar. Entre eles estão o regulamento, que contem informações sobre resgates, taxas, valores mínimos para movimentação, qual o tipo de fundo e em quais produtos financeiros ele pode investir, entre outros direitos e compromissos que a gestora tem com o cotista do fundo. Outro documento é a lâmina do fundo ou relatório mensal.


Nesse arquivo é possível extrair informações sobre histórico de retorno do fundo, seu público alvo e política de investimento. Ainda no site da corretora, é normal encontrar informações sobre o gestor e a equipe de analistas. Além disso, a maioria das gestoras costuma postar cartas mensais ou trimestrais com suas visões sobre o momento que estamos passando e quais as perspectivas para o futuro. Como já foi dito antes, é importante que a visão da gestora e do gestor esteja alinhada com as suas visões.


Abaixo temos algumas informações facilmente encontradas no site da Gestora Alaska.

Informações sobre o fundo de investimentos Alaska.
  • Site da CVM

No site da CVM (Comissão de valores mobiliários), entidade que regula os fundos de investimento, também encontramos informações valiosas. Podemos saber quantidades de aplicações e resgates que determinado fundo teve, e saber também a carteira do fundo, com 1 a 3 meses de atraso. Mesmo que com atraso, essas informações são importantes para saber qual a visão e a estratégia do gestor, e avaliar se ela esta alinhada com suas expectativas.


Segue o link para a página da CVM que contém estas informações.


  • Outros sites

Existem outros sites que condensam todas as informações citadas a cima, e as apresenta de maneira simplificada e mais direta. Além disso, em algumas plataformas é possível comparar fundos entre si, e com o benchmark escolhido. Segue algumas sugestões de sites: Vérios e o Trademap.

Um adendo sobre fundos imobiliários

Os fundos imobiliários também são fundos de investimentos, ou seja, ao comprar uma cota em fundo imobiliário, você também está terceirizando a gestão de seus recursos, mas eles são destinados para a compra de imóveis e não de ações. Os fundos imobiliários têm semelhanças e diferenças com relação aos fundos de ações.


Assim como os fundos de ações, os fundos imobiliários também são geridos por uma gestora, a qual se paga uma taxa de administração pelo gerenciamento dos recursos. Desse modo, ao analisar um fundo imobiliário, é importante analisar a gestora e o gestor, avaliando o histórico daquele fundo e de outros fundos geridos por essas pessoas.


Uma das diferenças é o fato de o fundo imobiliário pagar dividendos mensais referentes aos aluguéis recebidos, enquanto o fundo de ações reinveste no próprio fundo os dividendos recebidos das empresas, aumentado o valor da cota.


Com isso, é importante analisar indicadores como Dividend Yield (taxa de retorno em % referente ao recebimento de dividendos) e a vacância (% de imóveis não alugados). Além disso, as cotas de fundos imobiliários são negociadas na bolsa, diretamente pelo homebroker.

Conclusão

Da mesma maneira que, quando você vai a um restaurante, você faz uma pesquisa sobre ele antes, faça isso com seus investimentos também. Ao investir em um fundo seja ele imobiliário ou de ações,, você está comprando a gestão dos seus investimentos por uma pessoa especializada no assunto. Portanto, saiba muito bem o que você está comprando e por qual preço, se essa compra apresenta um bom custo benefício e se a pessoa que está te vendendo é confiável.


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