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Vale a Pena Comprar OIBR3? Saiba Tudo sobre OIBR3

O Contexto do Surgimento do Atual Problema em Oi (OIBR3)


Primeiramente, é muito importante contextualizar 2 pontos:


1) A empresa não chegou nesse ponto sem motivos.

Toda a concepção e formação da Oi foi turbulenta e envolvida em diversas polêmicas. Desde a privatização da Tele Norte Leste (a famosa telegangue adquiriu) que viraria Telemar até a fusão com a Brasil Telecom (BrT) que teria como consequência um novo nome para a organização: Oi.


Desde então, os controladores se certificaram de tomarem as piores decisões de governança corporativa que podiam tomar. Era uma farra, os acionistas minoritários eram invisíveis, interesses dos controladores se sobressaiam aos interesses da própria empresa e o caminho rumo a recuperação judicial começou nesse momento.

2) Calma que fica pior

A farra dos antigos controladores não é o único motivo da derrocada. A mudança do setor de telefonia foi brutal nos últimos anos e prejudicou, em especial, a OI. Ela foi a empresa responsável por ganhar a concessão de telefonia fixa no Brasil. Isso mesmo que você está pensando, ela era responsável por levar a telefonia fixa para todas as regiões do país. Hoje parece um absurdo, mas lembre-se que nesta época, as pessoas usavam orelhões e telefones fixos em suas residências. Era um negócio que poderia ser lucrativo.


Todavia, com o passar dos últimos 10, 20 anos, a empresa entrou em uma cilada. Ao mesmo tempo em que via sua receita cair drasticamente pois a telefonia fixa era cada vez menos utilizada, ela também se via com uma obrigação legal de cumprir com a concessão. E o que isso quer dizer? Simples, todos os orelhões, toda a operação referente a telefonia fixa no país deve continuar, mesmo que ela seja inviável financeiramente. A consequência é mais alarmante do que apenas a manutenção de orelhões, é também a inutilização de bens amarrados a acordos da concessão e a já citada manutenção de operações claramente deficitárias.


Enquanto a Oi se via nessa posição, a concorrência investia e acompanhava o futuro do setor: dados moveis, internet e outros.


Dito isto, é necessário retomar a empresa pela perspectiva atual. A Oi se encontra em uma posição de queima absurda de caixa, por 3 motivos. O primeiro diz respeito a diminuição das receitas (ligações de voz com margem tendendo a 0). O segundo diz respeito a obrigações relativas a concessões. Já a terceira é sobre investimentos que estão sendo feitos a fim de recuperar o tempo perdido.


A critério de comparação, hoje, a Oi tem investimentos/despesas de 7 bilhões de reais por ano e tem uma geração de fluxo de caixa operacional de aproximada de 4,5 bilhões no mesmo período. Essa situação, como você pode imaginar, é insustentável, se continuar assim, é questão de tempo para quebrar. Dito isto, existem algumas possibilidades:


- Captar mais dívidas: difícil pois a empresa já está bem alavancada (cerca de 30 bi de dívida bruta) e teria dificuldade de capta-las devido a falta de possíveis garantias e mesmo se conseguisse, provavelmente seria um capital caro. Vale lembrar que a empresa ainda se encontra em recuperação judicial que já foi responsável por uma grande diminuição na dívida.


- Fazer um novo aumento de capital: provavelmente também não é a melhor alternativa, uma vez que existe uma dúvida muito grande do mercado em relação a sobrevivência da empresa. Além disso, os próprios acionistas da empresa já aportaram mais dinheiro em um aumento de capital recente (janeiro) na casa dos 4 bilhões de reais e provavelmente não estariam interessados em aportar mais nesse momento. Apesar de no processo de recuperação judicial estar citado um possível novo aumento de capital na casa dos 2,5 bi, deve-se avaliar a confiança do mercado na empresa. Talvez com o novo CEO tão cogitado.


- Vender ativos para financiar a reestruturação e os investimentos.

Esse último tópico é o mais provável e viável de acontecer. No primeiro momento, já se especula a venda da parte que pertence a Oi da Unitel, empresa de telecomunicação Angolana. Sim, exatamente isso que você leu, a Oi tem uma participação em uma empresa de telecomunicação na Angola que é avaliada na casa dos $1 bilhão de dólares ou 4 bilhões de reais. Fato interessante: o Market Cap (número de ações multiplicado pelo preço da ação) é de aproximadamente 4,8 bilhões. Então o que está implícito nisso é que se a Oi vender a Unitel por 4,1 bilhões de reais, todo o resto da Oi vale apenas 700 milhões. Obviamente que isso é descabido e o preço de suas ações estão totalmente defasados em decorrência da real possibilidade de insolvência.


Ainda sobre a questão referente a Unitel, não sei se fui claro o suficiente no início do texto; o corporativismo na Oi sempre foi muito forte. Os interesses dos controladores e suas respectivas relações com governo e governantes sempre se sobressaíram ao core business da companhia. Tanto é que eles têm uma participação desse porte na Angola (Brasil e Angola tiveram relações próximas e até suspeitas no decorrer dos últimos governos.)


Quer você queira ou não, esse corporativismo barato que outrora, levou a Oi para o buraco que se encontra, pode ser o mesmo a tira-la de lá. Isso porque essa venda pode dar um fôlego a mais a empresa para segurar as pontas até o desenrolar da PLC 79 (que também envolve um pouco desse corporativismo)


Obs: entenda como corporativismo a relação promiscua em instituições privadas e públicas e não o corporativismo estudado nos colégios do regime totalitário italiano.


A PLC 79


No início desse texto falei sobre a condição que a Oi se encontra de estar presa legalmente a uma concessão. Pois bem, isso não necessariamente é para sempre, está rodando há alguns anos no Senado (por isso o corporativismo) uma proposta de Lei que ajudaria muito a empresa a se safar de obrigações que oneram muito suas despesas.


A PLC 79, nada mais é que uma atualização nas regras de telecom no Brasil. Isso faria com que a Oi pudesse vender mais do que os 12 bilhões de ativos mais a operação de telefonia móvel, que segundo analistas, ela tem para vender hoje. Uma vez que destravaria diversos imóveis travados na concessão, entre outros bens. Além disso, talvez o mais importante, a PLC diminuirá as despesas de forma significativa, não acredito que seja uma solução permanente, mas pra quem se encontra em tal situação, isso é bem significativo já que compraria mais tempo para a companhia fazer sua reestruturação.


Mas vai passar? não sabemos mas o que pode-se afirmar é que seria interessante para o setor como um todo que isso acontecesse. Se negligenciado, pode chegar ao ponto de uma intervenção da Anatel para manutenção da telefonia em diversas regiões do país e isso, definitivamente, não é bom para a imagem da telecom no brasil, inclusive para possíveis investidores estrangeiros.


Detalhe: é um jogo politico-privado com empresas fazendo lobby a favor e outras contra.


Porque Comprei OIBR3?


Desta forma, é claro que a Oi não é um caso de empresa bem gerida que vai trazer frutos ao longo de anos por meio de proventos e consolidação no mercado. Obviamente é um caso de turnaround e como toda empresa nesta situação, o risco da empresa quebrar é altíssimo. A chance de alocar o capital nas ações e ver esse dinheiro virar pó é gigante. Entretanto, no meu entendimento, o custo de oportunidade de ficar de fora de Oi é maior. Isso acontece porque minha perda é limitada – 100% do capital alocado – mas meu retorno é impossível de calcular, pois depende da reestruturação da Oi como um todo mas com certeza pode passar em muito dos limitados 100% do capital alocado.


Mas perder 100% é uma possibilidade real e você ainda cogita? Óbvio, Taleb diria que essas são verdadeiras oportunidades de ganho, mas que devem ser ponderadas perante a carteira geral. Ou seja, jamais colocaria uma porcentagem que represente parte relevante do meu patrimônio em uma empresa nessa situação. Seria insanidade. Contudo, posso destinar uma ínfima parte da minha carteira a essa ação pois meus retornos podem superar em muito minhas perdas.


Obs: esse texto diz a respeito da minha opinião pessoal e da minha carteira, de nada tem a ver com uma análise séria, muito menos indicação de compra ou venda de ativos.


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